John Galt Jah, minha memória é horrível, por isso que tive que picotar o seu texto daquela vez e, acredite, tive um trabalho dos infernos. Dessa vez não vai dar, desculpa se minhas respostas ficarem meio vagas
Ok, eu não entendo completamente a mais-valia, não sou um doutor em economia, mas quem usa esse conceito geralmente ignora o trabalho além do operário/funcionário/etc. Talvez a idéia em si, não seja o que eu penso dela, mas como ea é usada por aqueles que talvez não entendam, como você disse, não me agrada.
Eu digo que a produtividade sobe e que ela não pertence ao trabalhador porque aumento da produtividade dependa geralmente de técnica e desenvolvimento tecnológico. Um trabalhador pode aumentar a própria produtividade, claro, mas cabe a ele negociar esse aumento.
Sim, utilizamos o conhecimento e o trabalho de gerações e gerações de humanos. O que esses contribuíram receberam de volta ou foram roubados durante suas respectivas vidas, mas agora não dá para fazer nada. Como eu já disse, não dá para buscar justiça com os que já se foram.
Sim, o sistema visa o lucro, mas isso não dá legitimidade, dentro dele, a fraudes. Não adianta discutirmos nesse ponto. Isso entra, por sinal, na definição de capitalismo. Não brinco quando digo que já procurei a definição de Capitalismo em mais de uma fonte, e duas dificilmente concordam. Não estou idealizando o meu, apenas discutindo o que eu entendo por ele.
Quanto à liberdade, você tem a liberdade e o direito de viajar o mundo, de viver, de ser feliz e etc porque ninguém pode (justamente) te proibir disso. Mas exercer os seus direitos é responsabilidade sua, não dever dos outros.
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Resolvi resgatar o seu post por que me lembrei muito da nossa conversa enquanto relia o "A ética protestante e o espírito do capitalismo". Você está correto, o seu conceito do espírito fundamental que move o capitalista é diferente daquele que percebo, e é verdade que se a ganância e um espírito de acumulação deve existir em todos os lugares foi principalmente naqueles onde se respeitou em alguma medida a legitimidade da propriedade privada e onde valores como trabalhar para acumular mais a mais(apesar da sua irracionalidade indiscutível dada pelo exemplo simbólico máximo de "ser enterrado com suas posses") passou a ser encarado pela sociedade ao menos de forma neutra.
O importante é reconhecermos que a razão não é o privilégio de um dos lados, na verdade pra desenvolvermos o saber precisamos contar com o máximo de perspectivas possíveis e através da sua contraposição encontrar uma síntese satisfatória. Quem está errado, Marx ou Weber? Acho que os dois estão certos e errados em alguma medida, mas naturalmente, é impossível para mim ou qualquer pessoa pretender concordar igualmente com os dois. Reconheço as idéias do Weber e na verdade até me deixo convercer por elas na medida que leio a sua obra mais conhecida, mas fundamentalmente acredito mais na perspectiva marxista. Explico.
Não é exagero dizer que a nossa discussão é fundamentalmente ideológica, o fato dela ser também racional e contar com argumentos que beiram o acadêmico em nada afetam esse fato. Você, nesse momento pelo menos, defende o capitalismo, e eu(tb nesse momento) o critico. Mas vejamos, nós somos tão diferentes? Nascemos em uma sociedade capitalista, somos da classe média...compartilhamos portanto vários símbolos e valores, o capitalismo portanto é a minha ideologia de nascença. Veja bem, portanto, que a minha opção por tentar entender mais sobre o comunismo, forçar a minha perspectiva pra abranger também algo que naturalmente estaria fora do meu micro-cosmo é uma opção racional por algo que aumentaria o meu foco sobre a realidade e assim me permitiria alcançar um novo saber sobre as coisas do mundo. "Racional", é claro, está sujeito as mais diversas críticas, mas que homem pode assumir a posse sobre uma racionalidade no seu sentido mais idealizado? Essa é a minha desculpa portanto, e a razão pra que eu pense que uma perspectiva de esquerda(comunista, socialista, anarquista ou apenas de esquerda) seja fundamental para o ser humano, ela deverá ser ao menos considerada. Por que se não, seremos como aquele sujeito que nasceu numa sociedade escravista e não entende que uma sociedade sem escravos é possível, e que os seus valores não se derivam de uma "natureza humana fundamental". Ideologia é a palavra, não é uma fixação minha, o capitalismo é o sistema que melhor espalha a sua ideologia. Já falei algumas vezes por que as vezes precisamos nos permitir espantar por coisas que temos como banais, as propagandas por exemplo. Quantas já vimos ao longo das nossas vidas? Quanto do que somos, daquilo que julgamos ser nossa parte mais íntima não foi construída de fora para dentro? É assustador, e tem que ser, precisamos entender dessa forma para não perdemos a nossa perspectiva crítica.
A dicotomia indivíduo/coletivo por exemplo, não precisa ser tão radical, precisamos apenas nos permitir aceitar que existe uma racionalidade em percebermos as coisas pelo seu lado "floresta", e não somente "folha". Já nascemos com a perspectiva da folha, não por que essa seja a nossa perspectiva natural, Durkheim escreveu que eramos muito mais voltados para uma consciência coletiva do que hoje e na realidade podemos perceber algo semelhante analizando o caso chinês por exemplo. Portanto, temos a consciência da folha e nos é perfeitamente possível e provavelmente aconselhável acrescentarmos a ela a da floresta também.
Você então diz uma coisa, eu digo outra. Não seria possível então chegarmos em um acordo, reconhecermos o valor da contribuição indivídual mas também entendermos que também existe um valor que é construído coletivamente de forma que sua apropriação individual não seja mais do que um desrespeito fundamental à legitimidade da propriedade? Me parece que você é radical em desconsiderar isso que para mim e tantos outros é uma realidade concreta, a que fiz questão de tentar descrever ao longo dos meus posts passados. Aceite a dualidade, multiplicidade do saber humano e rompa as barreiras que você próprio impôs para o seu crescimento intelectual. A distância que separa você do outro, dos outros, está mais na sua cabeça do que em qualquer fato supostamente concreto, "científico".