buffy_effect Hang in Cubes Você não está insinuando que seu namoro atual seria uma "relação saudável", está? Porque trair alguém às escondidas e justificar a própria infidelidade não são marcas de uma relação saudável, ainda mais se sua "namorada" se incomoda com a "falta de exclusividade".
Pode ser "saudável" para você, mas não para a sua namorada. E, portanto, isso não é uma "relação saudável".
E não acredito em amor que não seja monogâmico. No amor, ambos os envolvidos devem esforçar-se para preencher completamente qualquer vazio existencial. Em suma, sua namorada deveria ser única e suficiente para todo o crescimento de seu âmago amoroso; e é por isso que ela seria considerada a sua "namorada" ou "amada".
Considero a poligamia uma das coisas mais odiosas em nossa sociedade decadente. É uma ruína lastimável diante de desejos frívolos e medíocres; um desprezo de nossa bela condição propriamente humana e racional, uma derrota para o "macaco interno", como o Doomstar colocou.
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E se a escolha pela poligamia se der de forma racional? Por que uma troca de afeto precisa ser exclusiva com outra pessoa para nao ser caracterizada como "ruína lastimável"?
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A escolha não se dá de forma racional -- um namoro, como instituição social, implica em fidelidade. É um vínculo de união perfeita entre dois seres humanos, que constrói uma unidade, e não uma multiplicidade.
Para simplificar, ainda que grosseiramente: sua amada seria "tudo" para você. Seria a pessoa
mais importante de todas, com quem você dividiria sua própria vivência. Logicamente, não é possível existir mais de um "tudo" ou "mais importante", pois estas são noções provenientes de um conceito de unidade e proeminência.
A poligamia rompe com essa base imprescindível do relacionamento amoroso. "Relações abertas" tratam-se de subterfúgios para a realização de desejos de prazer imediato, um princípio bestial que não condiz com nossa capacidade racional, pois é justamente a razão que nos possibilita criar o mundo cultural e frear desejos imediatistas (instintos).
Grosso modo, pode-se dizer que temos uma personalidade animal e uma espiritual/racional, separadas. Não é possível misturar as duas; não podemos ser "macacos racionais/humanos", pois este conceito nem sequer existe logicamente. No entanto, podemos optar entre as duas personalidades: ou nos entregamos aos instintos imediatistas do "macaco interno", ou conservamos nossa humanidade (razão), que nos afasta e diferencia dos animais.
Mensagem editada pelo
usuário Hang in Cubes
em 25/07/2012 19:53.